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Graforreia Intermitente

Opinadelas, Politiquices, Ordinarices, Música, Cinema, Lirismo, Contos e muito mais!

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Politiquices: Banhos de Ética, por favor!

Temos mais uma polémica com políticos que gera dúvidas sobre ética na Política. Sejam bilhetes para jogos de futebol ou sejam subsídios de viagens, estes casos que vão surgindo – e acredito não serem os únicos, e nem sequer a maior percentagem face aos que ainda desconhecemos – só reforçam a minha opinião de que Partidos e carreiras políticas não são os melhores “instrumentos” para a construção de uma verdadeira Democracia.

Vou tentar não me pronunciar diretamente ou concretamente sobre o caso dos subsídios de deslocação recebidos pelos deputados residentes nas regiões autónomas (quem quiser pode ler as respostas a algumas perguntas sobre este assunto aqui), mas este caso colocou de novo em debate – ou pelo menos deveria ter colocado – a questão da Moral no desempenho de funções públicas e políticas.

O Presidente da Assembleia da República já se pronunciou afirmando que não há aqui nenhuma infração de legalidade nem de ética.

Quero ressalvar que, nestes casos, eu prefiro falar em Moral – enquanto referência às regras de conduta aplicáveis ao indivíduo e definidas essencialmente pela sua vertente de animal social – do que em Ética – que, segundo me ensinaram, é o estudo sobre a Moral (além do uso em expressões catitas como “ética deontológica”).

Quanto à legalidade, poucas dúvidas me restam, a lei prevê este tipo de subsídios e abonos e permite que os deputados beneficiem dos mesmos – no caso dos deputados insulares o subsídio fixo de cerca de 500€ semanais não depende sequer da realização efetiva da viagem, mas apenas de não faltarem aos trabalhos da Assembleia da República. É ilegal? Não.

Mas importa relembrar quem aprova este tipo de leis… repito aquele mote que utilizo em muitos textos aqui no blog: “Quis custodiet ipsos custodes?” (“Quem guarda os guardas?”).

Quanto à Moral (ou Ética), já não posso concordar com Ferro Rodrigues. Talvez porque a minha visão de Ética e de Moral se desenvolveu/aprofundou no momento em que tive de estudar a Fundamentação da Metafisica dos Costumes do filósofo Immanuel Kant e adotei, de certo modo, as suas definições.

No fundo, acredito que o valor de uma determinada ação depende da sua real intenção. E essa real intenção tem de ser o cumprimento do dever pelo próprio dever e não o cumprimento do dever com base nas consequências ou benefícios.

De um modo muito simples, se eu ajudar alguém que caiu, a minha ação tem valor moral se eu ajudei essa pessoa porque era a atitude humana a ter – ajudei porque devia ajudar (ponto). Contudo, perderá o seu valor moral se eu ajudar aquela pessoa porque espero que ela me recompense ou, até mesmo, só porque as outras pessoas iam ver que eu não ajudei e provavelmente julgar-me.

Voltando ao caso concreto (afinal não o consigo evitar), os subsídios em causa destinam-se a custear despesas que os deputados tenham por não serem residentes em Lisboa, cidade onde se concentra a sua atividade.

Mas até que ponto é Ético (ou moral) receber um subsídio sem que se tenha essa despesa? No meu entender, não é. E não encontrei nenhum argumento que me fizesse acreditar que receber um subsídio de viagem sem que a viagem seja realizada tem sequer uma pontinha de ético ou moral. Para mim, este caso está ao nível de receber uma pensão de invalidez sem ter qualquer invalidez ou receber subsídio de desemprego estando empregado.

Meus senhores, só porque a lei permite que vos sejam atribuídos esses subsídios, não quer dizer que vocês sejam obrigados a aceitá-los quando não se justificam. Nem dizer que já acontece há muitos anos é justificação que se apresente.

Os deputados que receberam (na minha opinião) indevidamente esses subsídios, deverão não só devolver esses valores, mas também renunciar ao cargo de deputados. Quanto mais não seja porque a Assembleia da República é a casa da Democracia. E aqui (talvez só aqui) concordo com a afirmação (e só com a afirmação) de Rui Rio de que a “política precisa de um banho de ética”. Que os banhos comecem!

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Relembro que este blog já está presente no Facebook: Graforreia Intermitente.

Ordinarices: Não és tu, são os outros

O problema não és tu, são os outros. Reparei que tenho dito e pensado esta frase mais vezes que o normal nos últimos anos. Não, não se trata de uma frase para acabar um namoro, mas sim de uma frase que tenho utilizado para explicar determinados comportamentos e para finalizar algumas das minhas respostas.

Utilizo-a frequentemente no âmbito profissional – tenho responsabilidades associadas ao funcionamento de alguns edifícios da empresa onde trabalho. Em resumo, lido com prestadores de serviços e fornecedores. E tenho-vos a dizer que é mais fácil lidar com os colaboradores dessas empresas do que com os colaboradores da nossa própria empresa.

Muitas vezes, perante determinados procedimentos ou acontecimentos, há sempre um colaborador que nos conhece melhor e nos vem pedir um favorzinho. Eu tenho optado por negar, justificando: O problema não és tu, são os outros. Alguns percebem, outros ficam surpresos com a resposta e tentam contra-argumentar. Os últimos muitas vezes revelam não ter o mínimo de conhecimento sobre os comportamentos dos restantes colegas de trabalho. É que nem todos parecem ter os níveis mínimos de civismo e ética exigidos.

Desde que exerço este tipo de funções (2009) que percebi que a dificuldade não está nos equipamentos e estruturas, nas emergências que vão surgindo, ou nas relações com os prestadores de serviços e fornecedores. A verdadeira dificuldade está em lidar com os próprios colaboradores da nossa empresa.

Na verdade, não creio que se trate deste grupo de pessoas em específico. Acredito que se trata de uma atitude generalizada na nossa sociedade. Dizem-nos que temos uma panóplia de direitos que devemos proteger com unhas e dentes e, como consequência, aprendemos a reclamar e esperar que os outros respeitem os nossos direitos – quer interfiram com os direitos de outros ou não.

E, por isso, muitas vezes tenho de dizer: O problema não és tu, são os outros. Umas vezes com sinceridade, outras vezes com vincada ironia.

Por exemplo, muitos acham ridículo ser necessário efetuar um pedido prévio de estacionamento, existir um registo na portaria de viaturas (algo simples como facultar a matrícula e, em alguns casos, o nome e n.º mecanográfico) e terem de ouvir o aviso para estacionarem apenas no lugar que lhes é indicado. Há colegas que vêm pedir o favorzinho de estacionar ou porque não fizeram pedido prévio ou porque é só por uns minutos. Ou então, de entrarem pelo outro portão onde não há controlo, porque lhes dá mais jeito. E eu não posso conceder-lhes estes favores. O problema até nem são eles, são os outros. É que temos colegas que aproveitam para utilizar os parques sem terem uma necessidade premente para tal (os lugares de estacionamento são muito inferiores ao número de viaturas), ou estacionam em sítios onde não devem (lugares de mobilidade reduzida) ou então estacionam mal, obrigando a um contacto telefónico a convidar o condutor a corrigir o modo como estacionou a viatura para que outros colegas também possam estacionar.

Outro exemplo, numa das reclamações com os serviços de limpeza, que envolvia o ataque à Técnica de Limpeza (nome pomposo que soa melhor do que senhora da limpeza) e a falta de qualidade do seu serviço, uma vez que um dos privados do WC estava sujo e também já não havia toalhetes para secar as mãos. Quando fui ter com o colaborador queixoso, descubro que o mesmo constatou esta situação cerca de 1 hora após ter sido realizado o serviço de limpeza naquele WC e os dispensadores terem sido abastecidos. Olhei de relance para o posto de trabalho do colaborador, e respirei fundo:

- “Sabe, o WC foi limpo às 9h30. Depois disso terá sido utilizado por outros colegas que não tiveram o cuidado de utilizar o piaçaba nem de deixar o privado em estado satisfatório para que fosse utilizado de seguida. Se calhar não se lembrou de fazer como faz em casa e de deixar as instalações num estado aceitável para os outros colegas. Quanto aos toalhetes, vejo que tem aí um maço deles pousados na secretária…”

- “Ah! É que eu às vezes viro o copo com água e assim já tenho aqui para limpar. E também servem de guardanapo para comer o meu lanche. Mas não se preocupe que eu não os deixo aqui para a senhora da limpeza os pôr no lixo. Eu mesmo coloco no caixote antes de ir embora.”

-“Pois! Mas compreenda, o problema não é o senhor, são os outros. Enquanto tirou para aí uns 15 toalhetes para estarem pousados na secretária, se calhar outros colegas agiram mal e tiraram 30 toalhetes. Como sabe, somos muitos aqui nestas instalações, por isso se cada um tirou 30, o dispensador ficou vazio num instante.”

Um exemplo final, que ocorreu numa altura em que ainda estava verde. Recebo duas reclamações relativas à climatização de uma sala. Uma colaboradora com calor e outra colaboradora com frio. Quando me dirigi ao espaço em causa e pergunto pelas queixosas, descubro que se sentam na mesma ilha, uma em frente à outra. Não referi, mas estávamos em pleno verão. A que reclamou porque tinha frio apenas o fez porque a outra disse que ia reclamar que tinha calor, e ela não queria que a temperatura da sala fosse reduzida. A que reclamou que estava com muito calor, estava a usar calças de bombazina e camisola de malha (devia ser algodão). Já referi que estávamos em pleno verão?!?! Uma vez que os restantes colaboradores presentes naquela sala estavam confortáveis com a atual temperatura, não efetuei qualquer alteração. Passado umas horas, tinha uma nova reclamação. A colaboradora que tinha calor, continuava com calor. Pois, se calhar devia ter-lhe dito:

- “O problema não é a colega, são os outros. Se eles vestissem roupa quente no verão eu já podia programar o ar condicionado para fazer nevar na sala.”

De facto, há pessoas que só conseguem ver o próprio umbigo. Que sentem que têm determinados direitos e que ninguém lhes há de pisar os calcanhares. Se esses outros também têm direitos, isso já é outra história, porque os meus são os mais importantes. Porque é que não posso estacionar onde e como me apetece? O carro até é da empresa! E porque é que tenho de utilizar a casa de banho com brio, se há senhoras de limpeza a precisar de trabalho? E porque raio me devo vestir adequadamente para o local onde estou a trabalhar se aquilo tem ar condicionado?

E isto estende-se muito além desta empresa ou de qualquer outra empresa. Tem estado presente no dia-a-dia, em todo o lado.

Porque é que hei de estacionar o carro a 100 metros do portão da escola se posso ficar em segunda fila ou até em cima da passadeira mesmo ali à portinha?

Porque é que não posso ir para a fila de compras inferiores a 15 unidades – mesmo que tenha 30 – se aquela é a fila que anda mais rápido?

Porque é que tenho de ver roupa numa loja sem fazer daquilo uma banca de feira virada do avesso, se os funcionários estão lá é para arrumar a roupa?

Porque é que não me posso sentar mesmo ao lado daqueles fumadores na esplanada com o meu bebé, se é aquela mesa que eu quero e mais nenhuma das 15 mesas livres? Eles que não fumem enquanto o bebé ali estiver.

Porque é que tenho de parar na passadeira se o meu carro anda mais rápido que a velhota que está ali à espera para atravessar? Quem vem atrás que pare.

Porque é que não podemos estar mais do que 2 pessoas a visitar fulano no hospital? Só porque ele está a dividir o quarto com mais 4 pessoas?

Porque é que eu tenho de andar 4 metros até ao cinzeiro, quando posso deitar a beata para o chão? Há funcionárias de limpeza para alguma coisa.

A cada uma destas pessoas deixo o meu muito irónico: O problema não és tu, são os outros.

 

Opinadela: Jornalismo sério ou oportunista

Ainda vou passar por ser anti jornalismo ou por não ter qualquer respeito pelos seus profissionais, mas a verdade é que existem maus exemplos nesta classe cuja função é essencial para a sociedade. Nesta classe como em todas as outras!

Se, anteriormente, critiquei o sensacionalismo, hoje debruço-me sobre o oportunismo.

Não vou debater-me mentalmente para opinar sobre a questão das dívidas contributivas de Pedro Passos Coelho. Se são ou não justificáveis e quais as suas consequências. Tenha sido lapso ou não, cabe aos eleitores decidirem se se trata de algo desculpável. A mim, custa-me a engolir, principalmente depois de decidir afirmar que não é um cidadão perfeito, como se fosse a desculpa exemplar. É preciso moral para algumas coisas, como, por exemplo, para ser Primeiro-Ministro.

Mas este assunto fez-me refletir sobre a tal questão do oportunismo de alguns jornalistas e da orientação editorial imparcial.

Segundo ouvi e li, PPC já teria sido confrontado com esta informação da dívida à Segurança Social em 2012. Todavia, não me recordo deste assunto ter sido noticiado nessa altura. Passados 3 anos, em ano de legislativas, a notícia é finalmente publicada (ou republicada?). Quais os motivos deste compasso de espera? Terá ficado guardado na gaveta à espera da melhor altura para ver a luz do dia? Os tais jornalistas que confrontaram PPC preferiram não divulgar a informação na qual tropeçaram? Digo “tropeçaram”, pois caso tenha sido resultado de um trabalhoso processo de investigação, não me parece lógico que tenham “trabalhado para aquecer”!

 

 

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